Hiperplasia
Endometrial Cística (HEC)
Trata-se
da mais comum das patologias uterinas observadas em cadelas, constituindo
a condição que mais leva a cirurgia radical (histerectomia
total). Resulta de uma alteração caracterizada por
hiperplasia cística do endométrio, mediada por hormônio.
Sua importância decorre da usual complicação
por piometra, a qual resulta da invasão bacteriana do endométrio,
e o acumulo de líquido purulento em seu lúmen. Sua
fisiopatologia está ligada a exposições repetidas
e prolongadas do endométrio a altos níveis de estrogênio
em cada ciclo, seguidas por concentrações elevadas
de progesterona, na ausência de gravidez, no qual o útero
responde de forma exuberante. As secreções produzidas
pelo tecido endometrial cístico constituem um excelente meio
de cultura onde colonizam e vicejam bactérias que contaminam
via ascendente, oriundas da vagina, e que penetram através
da cérvice parcialmente aberta nos períodos de proestro
e estro.
A mais comum das bactérias envolvidas, Scherichia coli, pode
ser considerada como pertencente a flora comum da vagina. A maioria
dos casos de piometria ocorre em cadelas de mais de 6 anos de idade,
porém animais muito jovens podem ser acometidos, especialmente
quando se utiliza contraceptivo hormonal. Não há predominância
racial, porém parece haver um risco acentuado em cadelas
nuliparas.
A suspeita clínica de HEC e de piometria baseia-se em dados
clínicos e resultados laboratoriais, porém o método
mais eficiente e definitivo é a ultra-sonografia, a qual
verdadeiramente veio revolucionar o seu diagnostico. Além
de geralmente ser um exame conclusivo, a ultra-sonografia (USG)
permite avaliar os demais órgãos intra-abdominais,
já que não raro detecta-se outras patologias concomitantes
que podem complicar o estado da paciente.
(Dr.
Gustavo Luiz G. Almeida) |