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Obesidade
humana e canina: um problema cada vez maior
A
obesidade é atualmente considerada uma verdadeira enfermidade
pela Organização Mundial da Saúde.
Do ponto de vista conceitual a obesidade significa o excesso de
massa gorda em um individuo (quantidade de gordura corporal).A massa
magra do corpo é o somatório dos outros componentes
tais como os músculos,os ossos,a água e outras partes.
O aumento da massa gorda,em ultima análise,é decorrente
de uma ingestão muito maior de calorias em relação
à queima de calorias.Neste caso, a obesidade decorre simplesmente
do habito de comer em excesso e/ou porque o corpo apenas consegue
queimar poucas calorias (por falta de atividade física,por
exemplo).
Este fenômeno vem sendo observado como uma verdadeira epidemia
no homem.A vida moderna tem melhorado significativamente o conforto
e o bem-estar das pessoas,mas também tem propiciado um estilo
de vida que se caracteriza por uma alimentação desregrada,hipercalórica,
associada com sedentarismo, perfazendo um resultado liquido extremamente
desfavorável:excesso de calorias ingeridas e perdas calóricas
diminuídas.Os indivíduos chamados “beliscadores”,justamente
aqueles de vida mais sedentária estão obviamente no
caminho da obesidade.
Outro aspecto que preocupa as autoridades de saúde-pública
e um problema emergente: o aumento significativo da obesidade nas
crianças e adolescentes.Dois fatores são apontados
como os maiores responsáveis pelo fenômeno:o habito
de permanecerem longas horas de inatividade vendo televisão
e comendo as guloseimas que a própria TV as induz a apreciar.Isto
inclusive tem sido observado em crianças de famílias
de baixa renda, onde também a falta de atividade pelas horas
passadas na frente da televisão e a ingestão de petiscos
constituem conjunto deletério.Por causa disso, deixam de
queimar energia que normalmente o fariam durante as extraordinárias
brincadeiras e correrias próprias da idade.Vale a pena lembrar
que os alimentos que tem maior potencial de engorda não são
os açucares mas sim as gorduras.De fato, um grama de gordura
conte 9 kilocalorias enquanto um grama de açúcar contem
4 kilocalorias.Infelizmente, a maioria das guloseimas mais apreciadas
pelas crianças e adultos tem justamente uma concentração
significativa desses dois constituintes.
Já está bem estabelecido que a obesidade depende fortemente
da hereditariedade,mas também ela é substancialmente
modulada pelo estilo de vida.Por outro lado,há de se considerar
que varias alterações orgânicas podem levar
a obesidade, tais como os distúrbios endócrinos (da
tireóide,da glândula adrenal e do pâncreas),mas
isto ocorre apenas em 2 a 4%dos casos.
Um outro aspecto que torna a obesidade muito preocupante é
que ela por si só pode levar a uma serie de graves complicações
tais como a hipertensão arterial,a doença coronariana,o
excesso de colesterol sanguíneo, a gota,os distúrbios
da respiração,o agravamento de lesões ortopédicas,alem
das repercussões psicológicas importantes.
Já na antiguidade,alias, Hipocrates o pai da medicina, havia
notado uma relação entre obesidade e morte súbita.
Como qualificar e quantificar a obesidade ? Simplificadamente poderíamos
considerar obesos os homens que tem um porcentual de gordura maior
que 25% e mulheres com porcentual maior que 30% do peso.Essa diferença
decorre do fato de que os homens têm uma porcentagem de massa
muscular bem maior do que as mulheres.
Entretanto,na pratica, o melhor parâmetro para definir a obesidade
é o chamado Índice de Massa Corporal (IMC)., o qual
apenas não é integralmente valido para atletas muito
sarados, em que ressalta uma grande massa muscular.
O IMC é calculado dividindo-se o peso em kilogramos pela
altura ao quadrado ( Kg/m2).
Por esse parâmetro teríamos:
Peso normal: IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m2
Sobre-peso: IMC entre 25 e 29,9 kg/m2
Obesidade:IMC entre 30 e 39,90 kg/m2
Obesidade mórbida: = ou > 40 kg/m2.
A
chamada “obesidade mórbida” é assim considerada
porque está intimamente associada com uma serie de doenças
graves,que podem resultar em alta morbi-mortalidade.
O controle da obesidade deve ser feito sob estrita orientação
medica,já que constitui uma verdadeira enfermidade,exigindo
uma completa avaliação física e laboratorial.O
tripé do tratamento antiobesidade é composto de atividade
física adequada, reeducação alimentar e apoio
psicológico.Eventualmente o uso de medicamentos pode ser
necessário.
Recomenda-se evitar alguns “doutores da moda” os quais
tem utilizado apenas medicamentos, especialmente certas formulas,
nas quais são incluídos variados medicamentos tais
como tranqüilizantes,inibidores do apetite,substancias excitantes
e até diuréticos! Trata-se freqüentemente de
verdadeira bomba de efeito retardado.Nos mesmos já tivemos
algumas pacientes que utilizaram tais “formulas” e tiveram
sérios problemas exigindo suspensão de seu uso e iniciando
tratamento medico adequado.As mulheres,por suas peculiaridades psicossomáticas,
e pela exigência de um novo padrão de beleza,são
as maiores vitimas desses tratamentos.
E nos cães,como se apresenta o problema?
Já está bem claro que a obesidade canina,antes quase
não observada,vem sendo considerado um problema cada vez
maior. De fato,conforme vai melhorando a renda familiar, o estilo
de vida canino também vai sendo modificado,acompanhando o
que ocorre com a família.
Nas cidades estima-se que a obesidade canina ocorra em 15 a 30%
dos animais, estando mais predispostas naturalmente algumas raças
como Labrador,Beagle,Cocker Spaniels,Basset,Collie,Bassehound,Poodle.Ocorre
também com freqüência em cães SRD ou mesticos.
A obesidade ocorre com mais freqüência em cães
maduros, entre os 5 e 10 anos,que desenvolvem pouca atividade física
e recebem alimentação hipercalórica,que pode
ser constituída de ração comercial,comida caseira
ou uma combinação delas.Cachorros gordos ingerem petiscos
com freqüência.O excesso de ingestão de calorias
e a diminuição do seu gasto resultam em um balanço
positivo em que essa energia nao usada passa a ser estocada sob
a forma de gordura corporal.
Também há casos em que a obesidade esta associada
a doenças da tireóide, da supra-renal e a castração.
Como nos humanos, a obesidade canina pode provocar ou agravar a
uma serie de patologias, como o diabetes,o excesso de colesterol,as
doenças de pele,problemas articulares,respiratórios
entre outros. A anestesia em cães obesos tem um potecial
muito maior de complicações.Outro fato marcante e
que os médicos-veterinários tem observado uma menor
longevidade nos cães obesos.
Não existem parâmetros sensíveis para determinar
o quanto se encontra obeso um cachorro.Antes, sua avaliação
é algo subjetiva, mais por observação visual.Também
a obesidade de um cachorro pode ser “medida” olhando-se
se as costelas estão cobertas, a perda da cintura (olhando
de cima),a presença de dobras na pele ou quando sua apalpação
permite “sentir” uma camada de gordura.Pode-se,também,
calcular a espessura da gordura subcutânea pelo uso da ultra-sonografia.
Por outro lado,também é difícil avaliar o grau
de obesidade pois não só há uma grande variedade
de raças e biótipos como também a faixa de
peso dentro da raça tem um considerável grau de variação.Neste
caso, um parâmetro usualmente considerado é que um
cachorro com 20 a 25% acima da faixa normal da raça já
pode ser considerado obeso.
O controle da obesidade canina passa também por um conjunto
de medidas, iniciadas por uma avaliação médica
para descobrir a causa do problema, reeducação alimentar
e atividade física adequada.A conscientização
do dono constitui um fator também importante.Felizmente já
existem rações especiais de alta qualidade que ajudam
muito na redução do peso dos cães e gatos obesos.
Um dono gordo,freqüentemente tem um cachorro gordo. E isso
já é um problema para dois médicos...
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Dr.Gustavo Luiz Gouvêa de Almeida, médico-veterinário.Também
é médico cardiologista, exercendo suas atividades no
Centro de Investigações Cardiológicas. Hospital-Geral
da SCMRJ e Universidade Gama Filho.
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